Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

marcam o Verão algarvio, um dos mais importantes é, sem dúvida a Fatacil. Agendada para a segunda quinzena de Agosto


marcam o Verão algarvio, um dos mais importantes é, sem dúvida a Fatacil. Agendada para a segunda quinzena de Agosto, esta feira é já considerada a maior a sul do Tejo

Joss Stone actua em Loulé


Joss Stone actua em Loulé

No âmbito do programa musical do Allgarve'09, a cantora britânica Joss Stone vai dar um concerto em Loulé, junto ao monumento Duarte Pacheco, no dia 31 de Julho, pelas 22h00.
Detentora de uma voz possante, Joss Stone é uma das grandes revelações na área da soul music.
Já foi distinguida com vários BRIT Awards e um Grammy Award.
Já no Allgarve Jazz, está agendado para dia 26 de Julho, no mesmo local e à mesma hora, um concerto com a lendária dupla de jazz do pianista Chick Corea e do vibrafonista Gary Burton.
Brevemente será divulgados também o outro nome que irá actuar no Concelho de Loulé, em Vilamoura, nesta edição do Allgarve.

Mais de mil e quinhentas pessoas estiveram, ontem, presentes na inauguração do novo edifício Paços do Concelho Séc. XXI, em Lagos.

Mais de mil e quinhentas pessoas estiveram, ontem, presentes na inauguração do novo edifício Paços do Concelho Séc. XXI, em Lagos.O presidente da Câmara Municipal de Lagos, Júlio Barroso, o Secretário de Estado Adjunto e da Administração Local, Eduardo Cabrita, a Governadora Civil do Distrito de Faro, Isilda Gomes, e entidades convidadas foram recebidos entusiasticamente pela população que, rapidamente, se concentrou nas duas frentes deste novo edifício.


Localizados onde, em tempos, funcionou a Fábrica da Cortiça, os Paços do Concelho Século XXI constituem um edifício moderno com seis pisos, dois deles subterrâneos destinados a estacionamento. Constituindo-se como uma peça arquitectónica sóbria e de linhas direitas, que transmite uma imagem de modernidade e eficiência é um edifício que vai prestigiar o Município de Lagos, sendo um elemento marcante da paisagem urbana da cidade.

Depois do momento protocolar do hastear das bandeiras, acompanhado de uma prestação da Banda Filarmónica de Lagos, procedeu-se à Bênção do edifício. Seguiu-se o descerramento das placas de inauguração e, já na fachada nascente, tiveram lugar os discursos inaugurais.

Carlos Albuquerque, Presidente do Conselho de Administração da FUTURLAGOS E.E.M., empresa responsável por tudo o que diz respeito à obra afirmou que as palavras- chave para se ter atingido este resultado foram “parceria” e “ todos juntos”. Realçou o facto de ter “aprendido muito com o conjunto de empresas que estiveram envolvidas em todo este projecto” e voltou a referir que “esta obra é um verdadeiro caso de sucesso e uma referência no que a prazos diz respeito, tendo em conta a envergadura deste projecto”.
Recorde-se que a Câmara Municipal de Lagos, através de contrato-programa, entregou à empresa municipal FUTURLAGOS E.E.M., a função de construção, financiamento e manutenção do edifício, cujo projecto e terreno (direito de superfície) lhe cedeu.A obra foi desenvolvida, em tempo recorde e sem deslizes no prazo, pela Sociedade Anónima NEOFUTUR, - Promoção e Conservação de Imóveis SA, um consórcio formado pela Futurlagos, E.E.M. e pelo grupo da Marina de Lagos, de onde sobressaem as empresas Neocivil e MSF.
O Lançamento da 1ª Pedra do edifício foi um momento histórico, marcado com pompa e circunstância, nas Comemorações do 25 de Abril, no ano de 2007. Em 15 meses de construção efectiva ficou pronto para a inauguração, em tempo recorde, considerando a envergadura do projecto.

No decorrer da cerimónia foi lançado o selo comemorativo dos CTT dedicado aos Paços do Concelho Séc. XXI, evento filatélico que despertou grande interesse por parte da comunidade filatelista e do público em geral, uma vez que constituiu a oportunidade única de receber um novo selo com o carimbo do 1.º dia de circulação.
“Antes, às vezes, funcionámos como ilhas, agora seremos terra firme” afirma Júlio Barroso
Na altura dos discursos, o Presidente da Câmara Municipal de Lagos, Júlio Barroso, começou por afirmar que “este dia 6 de Julho ficará na história de Lagos como um marco importante do seu desenvolvimento e de mais uma realização e consagração do poder autárquico democrático”. Fez questão de recordar o antigo edifício da Câmara, construído há 211 anos e que irá continuar a albergar a Assembleia Municipal de Lagos.
O autarca referiu a necessidade de “criar melhores condições de trabalho que dignifiquem os trabalhadores da autarquia e proporcionem um melhor acolhimento e atendimento dos munícipes e empresas de Lagos”, reforçando que “havia uma lacuna a nível de instalações há mais de 20 anos”. Lembrando que os serviços se encontravam dispersos por vários locais, criando “falhas de eficiência e outras deficiências”, Júlio Barroso salientou a importância de “reunir num só espaço todos os serviços técnicos e administrativos da autarquia”, com excepção daqueles que estão afectos a instalações e equipamentos com localizações especiais (serviços educativos e culturais e o Departamento de Ambiente da CML).
“Antes, às vezes, funcionámos como ilhas, agora seremos terra firme. Antes havia distância, agora proximidade. Temos que reaprender a estar juntos e daí retirar todos os proveitos em prol do serviço público e das pessoas”, realçou o autarca aproveitando esta ocasião para se dirigir aos trabalhadores e relembrar a frase “Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida”.

Por último, o presidente da Câmara Municipal de Lagos agradeceu a todos os intervenientes que estiveram directa e indirectamente ligados ao desenvolvimento do projecto e que tornaram possível a sua inauguração, e, dirigindo-se à população, deixou uma “palavra de confiança para todos os lacobrigenses, para quem este investimento foi executado, para os servir e representar melhor, com mais qualidade e dignidade, antecipando as exigências do futuro”. Concluiu desejando “longa vida, saúde e felicidade nesta nossa terra cada vez mais valorizada e respeitadora das pessoas, do ambiente e do futuro”.


Secretário de Estado referencia edifício como “um dos símbolos do novo Algarve”
O Secretário de Estado Adjunto e da Administração Local, Eduardo Cabrita, que presidiu à cerimónia, começou o seu breve discurso enaltecendo o edifício: “É um dos símbolos do novo Algarve, do Algarve do turismo e da qualidade de vida”. “Um notável trabalho de engenharia e arquitectura, construído à imagem do que queremos que seja a Administração Pública do futuro” realçou o membro do governo. O Secretário de Estado ainda acrescentou que “este edifício, consubstancia, também, o símbolo dos novos desafios da administração pública local, que se deseja que funcione mais proximidade, que seja mais simplificada administrativamente e mais activa”.Para Eduardo Cabrita não houve dúvidas quando afirmou que “estou certo que hoje o Concelho de Lagos acrescenta mais uma data ilustre à sua longa história”.

Informação Complementar sobre o Edifício Paços do Concelho Séc. XXI:
Enquadramento Espacial e HistóricoAntigamente, o espaço onde hoje se encontra situado o novo edifício era uma zona de armazéns diversos e indústrias. Aqui esteve implantada a Fábrica de Cortiça CAFI. Com o passar dos tempos e o declínio destas actividades, a fábrica e os armazéns acabaram por ser desactivados, dando origem a uma zona urbana de uso indefinido que exigia o seu urgente ordenamento e requalificação.

Decisão sobre a Localização do Novo EdifícioO muito discutido, participado e longo processo (que envolveu todas as forças políticas e a própria população) de decisão sobre a localização de um novo edifício da Câmara, que permitisse reunir num só espaço todos os serviços técnicos e administrativos da autarquia, acabou por identificar como localização ideal o espaço da antiga e desactivada Fábrica da CAFI. Esta escolha foi encarada como uma forma de incentivar a requalificação urbana de toda a área envolvente, criando um novo pólo de interesse na baixa Norte da cidade de Lagos e fazendo com que o seu centro comercial e administrativo ganhe uma continuidade ao longo da Avenida dos Descobrimentos.
Escolha e Características do ProjectoO projecto do novo edifício resultou da proposta vencedora de um concurso que foi lançado com este propósito. Da autoria da PROGITAPE, a concepção do edifício foi abordada como uma peça isolada, com grandiosidade própria. Constituindo-se como uma peça arquitectónica sóbria e de linhas direitas, que transmite uma imagem de modernidade e eficiência é um edifício que vai prestigiar o Município de Lagos, sendo um elemento marcante da paisagem urbana da cidade.
Lançamento da 1ª PedraO Lançamento da 1ª Pedra foi um momento histórico, marcado com pompa e circunstância, nas Comemorações do 25 de Abril, no ano de 2007. Em 15 meses de construção efectiva ficou pronto para a inauguração, em tempo recorde, considerando a envergadura do projecto.
LocalizaçãoO novo edifício da Câmara Municipal de Lagos confina com a Rua Dom Vasco da Gama, a Rua dos Celeiros, a Rua José Ferreira Canelas e o novo arruamento (localizado a Oeste, no interior da Urbanização) que tem como designação toponímica o nome de Rua do Município. Fica na zona do de São João, actual Praça do Município.
Financiamento / Construção / FiscalizaçãoA Câmara Municipal de Lagos, através de contrato-programa, entregou à empresa municipal FUTURLAGOS E.E.M:, a função de construção, financiamento e manutenção do edifício, cujo projecto e terreno (direito de superfície) lhe cedeu.
A obra foi desenvolvida, em tempo recorde e sem deslizes no prazo, pela Sociedade Anónima NEOFUTUR, - Promoção e Conservação de Imóveis SA, um consórcio formado pela Futurlagos, E.M. e pelo grupo da Marina de Lagos, de onde sobressaem as empresas Neocivil e MSF.
Projectista: Progitape - Arquitectura, Planeamento, Engenharia, LDADono da obra: Neofutur - Promoção e Conservação de Imóveis, S.A.Financiamento: Caixa Geral de Depósitos, S. A.Empreiteiro Geral: Neocivil - Construções do Algarve, S.A.Fiscalização: Prospectiva – Projectos, Serviços, Estudos, LDACoordenação de Segurança em Obra: P3 - Projectos de Engenharia, LDA
Custos da obraO valor total da empreitada orçou em 16.258.209,31 euros, o qual é suportado pelo consórcio, que se responsabiliza, também, pela gestão do Edifício (incluindo manutenção, reparação e substituição de equipamentos). Para tal o Município pagará mensalmente uma renda de 163.500,00 euros durante 20 anos, findos os quais o edifício reverterá a favor do Município.
Funcionamento do Edifício / ServiçosO novo Edifício tem 4 pisos de gabinetes, ocupados pelos serviços municipais, e dois pisos subterrâneos destinados a Parque de Estacionamento Público.
A partir do dia 6 de Julho, todos os serviços técnicos e administrativos da Câmara Municipal - à excepção do Departamento de Ambiente e Serviços Urbanos e dos equipamentos culturais e educativos – passaram a funcionar no novo Edifício, centralizando num único local o atendimento e tratamento dos assuntos colocados pelos munícipes.
Piso 0 - Atendimento ao Público: Neste Piso fica instalada a recepção e o serviço de atendimento ao munícipe com 12 postos individuais de atendimento (Balcão Único de Atendimento/Gabinete do Munícipe), que será o espaço privilegiado para o atendimento presencial.
No átrio central estão instalados 2 balcões de recepção, um junto de cada porta de entrada no Edifício, que encaminharão o visitante para atendimento no Gabinete do Munícipe, situado no mesmo piso, ou para os andares superiores, caso exista uma marcação ou reunião. Neste caso, o visitante receberá um cartão correspondente ao piso a que se destina e será encaminhado para os elevadores centrais.
No piso 0 fica também situado o Auditório, com uma capacidade de 120 lugares sentados, local onde decorrerão a partir desta data as Reuniões de Câmara, outras reuniões e cerimónias públicas, bem como reuniões de cariz técnico mais privado.
A cafetaria existente neste piso está sobretudo vocacionada para um uso interno pelos trabalhadores da Câmara Municipal, podendo ser frequentada pelo visitante desde que na companhia de algum responsável político ou trabalhador da autarquia.
Neste piso ficam ainda instalados os seguintes serviços: Divisão de Recursos Humanos e alguns serviços do Departamento de Suporte Técnico Administrativo.
Piso 1 – Neste Piso ficam alojados o Departamento de Suporte Técnico e Administrativo (DSTA) e o Departamento de Planeamento e Gestão Urbanística (DPGU).
Piso 2 – O Piso 2 comporta os serviços do Departamento de Educação, Cultura e Acção Social (DECAS), do Departamento de Planeamento, Modernização e Inovação (DPMI) e a Divisão de Fiscalização.
Piso 3 – No Piso 3 fica o Gabinete da Presidência, os Gabinetes da Vereação, o Gabinete de Comunicação e a Divisão de Informação e Relações Públicas.
Parque de EstacionamentoOs Pisos -1 e -2 correspondem ao Parque de Estacionamento subterrâneo, com capacidade total para 300 viaturas, onde o estacionamento será público e, até ao final do Verão, gratuito.
O Parque tem três acessos pedonais pela Rua do Município e dois pela Rua D. Vasco da Gama, um dos quais servido com elevador, especialmente pensado para pessoas com mobilidade condicionada.

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Quando pensamos que as coisas não podem piorar, o ministro da Economia faz cornos à oposição. Não percebeu o insulto? Manuel Pinho faz--lhe o desenho.


Que se vão todos curar - não é um bom exemplo não senhor - mas que importa quando vimos assembleias com deputados e membros do governo á cabeçada ,estalada,murro,cuspiresm etc...
Perdemos um dos melhores politicos / ministros nos dias de hoje cada vez são menos os bons politicos fugiram,arranjaram com que não se preocupar ou chatear-se e ainda nos damos ao luxo de perder um dos melhores politicos deste governo.Mais uns euros que vai custar a todos nós.


Quando pensamos que as coisas não podem piorar, o ministro da Economia faz cornos à oposição. Não percebeu o insulto? Manuel Pinho faz--lhe o desenho. Porque os insultados somos nós. Dia após dia. Num ano qualquer, os políticos estariam nesta altura em fim de festa. Mas em ano com três eleições, a festa ainda agora começou. É a festa do "quem consegue descer mais o nível", em que se joga ao bate-pé da boçalidade. É como o "Monstrengo" de Pessoa, ontem citado por Teixeira dos Santos: "imundo e grosso".Manuel Pinho conquistara o título da longevidade como ministro da Economia. E coleccionou, também, "gaffes" que se lhe agarraram à imagem como nódoas que não saem. Foi por isso que um dia, saindo da China, onde incluíra os baixos salários em Portugal como argumento para captar investimento estrangeiro, se autodefiniu: "Eu sou aquele que eles adoram odiar". Incluindo ele próprio. Porque é preciso gostar muito de quem o odeia para lhes dar esta de bandeja. Mas a questão não é que Manuel Pinho se tenha passado da cabeça, é a de que desta vez foi Manuel Pinho; é a habituação a esta degradação no exercício de funções políticas e de representação dos cidadãos. Manuela Ferreira Leite e José Sócrates entram em mentiras e acusações de mentiras. Afonso Candal faz insinuações cobardes a José Eduardo Martins, que lhe responde: "Vai para o c..." (nem sei como escrever!). Convenhamos: as comparações entre Fernando Teixeira dos Santos e o ministro da propaganda do Iraque fazem de Alberto João Jardim um menino de coro. Houve um tempo em que era do calor: a Assembleia da República era insuportável, sem ar condicionado. As obras já foram feitas mas esqueceram-se de lá deixar um kit para meninos mal educados: pimenta para a língua, palmatória e chapéus de orelhas. Não é possível que a Assembleia da República se torne numa assembleia-geral do Benfica. E também não é aceitável que os políticos desprezem quem os elege, servindo-se deles em vez de os servirem. Como Paulo Rangel e Elisa Ferreira, que decidiram dar para os dois lados, o primeiro para as legislativas e europeias, a segunda também para as autárquicas. Este é um tempo sensível para a sociedade. João Rendeiro está na mira do Ministério Público, Oliveira Costa está preso, Jardim Gonçalves é acusado de crimes; há fraudes piramidais denunciadas, pequenas burlas que fazem temer pelas grandes. Onde estão as grandes referências? Deviam começar por estar na política, no Governo e na oposição. Mas o que há é insulto. Políticos que gerem carreiras em vez de projectos. Esta gente podia até não se dar ao respeito. Mas que, ao menos, perceba que ali ao leme são mais do que eles; são "um povo que quer o mar que é teu". Quem ali está e não tem sentido de Estado está então sentado no Estado. Houve uma altura em que a culpa, diziam, era dos jornais: só noticiavam o ladrão. Nada disso: agora, como no filme, é o cozinheiro, o ladrão, a sua mulher e o amante - tudo ao mesmo nível. Não perguntem por que sobe a abstenção, perguntem o que acontecerá depois disso.Chifrudo é o Belzebu mas aquele par de cornos não é para o PCP, é para os eleitores. Manuel Pinho resistiu a tudo menos a si mesmo. Não se perde grande coisa mas a sua demissão é uma réstia de decência num país que não pode aceitar a humilhação de se habituar a estas coisas. Só é corno quem quer.

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Nuvens negras na Porsche


Nuvens negras na PorscheWolfgang Porsche, maior accionista da empresa alemã, recusa o acordo de fusão proposto pela Volkswagen e acusa o fabricante de tentativa de chantagem. O actual chairman recusou o prazo dado pela Volkswagen para aceitar a proposta de compra de metade do capital da Porsche. Este seria o primeiro passo para a integração das duas empresas alemãs.

Muitas foram as caras conhecidas que no domingo fizeram questão de ir ver Elton John ao Pavilhão Atlântico. O cantor britânico cantou


Muitas foram as caras conhecidas que no domingo fizeram questão de ir ver Elton John ao Pavilhão Atlântico. O cantor britânico cantou alguns dos seus maiores êxitos, como Rocket Man e Crocodile Rock. Na plateia, o artista contou ainda com a presença de Cristiano Ronaldo a quem dedicou a música Don't let the sun go down on me.

Carlos Araya, que de um luxuoso nível de vida enquanto negociador de petróleo



E se no espaço de poucos meses o seu rendimento anual passasse de 140 mil euros para 17 mil? Foi o que aconteceu a Carlos Araya, que de um luxuoso nível de vida enquanto negociador de petróleo passou a empregado de mesa de um restaurante por não conseguir encontrar emprego na sua área.
Com 38 anos, duas filhas e um estilo de vida que incluía lagosta ao jantar e garrafas de vinho de 150 euros, Carlos Araya foi apanhado de surpresa pelos efeitos da crise económica quando, em 2007, perdeu o emprego no prestigiado New York Mercantile Exchange .
Hoje, a trabalhar num restaurante de luxo onde era cliente habitual, ganha oito vezes menos do que há dois anos. Mas não tem opção: encontrar emprego de acordo com as suas qualificações tornou-se uma tarefa impossível.
A história de Carlos Araya, contada ao Wall Street Journal , não é única. De acordo com o jornal, a crise financeira arrastou muitas famílias de empresários de Wall Street , antes acostumados a salários confortáveis.
Em comum têm a dificuldade em conseguir encontrar um novo emprego especializado, onde consigam ter um rendimento semelhante ao que tinham há tão pouco tempo atrás. Sombra do desemprego em Nova Iorque
Desde Agosto de 2007, cerca de 25 mil pessoas do sector financeiro de Nova Iorque perderam os seus empregos. Até ao início de 2012, o Departamento de Emprego do Estado de Nova Iorque prevê que este número suba para 56.800.
As consequências já estão à vista: aqueles que antes contribuíam com donativos para programas de ajuda infantil, estão agora a pedir apoio para a educação dos seus próprios filhos.
As dívidas acumulam-se. Carlos Araya e a esposa, que trabalha como secretária de administração, têm despesas fixas que ascendem aos quatro mil euros por mês. No total, conseguem facturar em conjunto apenas 2800 euros.
Coisas como saídas em família para jantar fora, as aulas de ballet das filhas e até mesmo a televisão por cabo já foram banidas das suas vidas. Mesmo assim, as poupanças feitas nos anos anteriores estão a esgotar-se.
Todos os dias, Carlos passa duas horas na Internet à procura de emprego. Telefonemas a antigos colegas de profissão já lhes perdeu a conta e no último ano e meio foi a dezenas de entrevistas de emprego, nenhuma bem sucedida.
"É uma realidade difícil de aceitar", confessa Araya. "Quando via desempregados achava que eram apenas preguiçosos, que a culpa era deles. Agora aconteceu-me a mim".















Portugal já tem o seu primeiro canal para maiores de 18 anos. O ‘Hot TV’ entrou no ar à meia-noite de ontem, através da Zon, após conseguir a autoriza
















Portugal já tem o seu primeiro canal para maiores de 18 anos. O ‘Hot TV’ entrou no ar à meia-noite de ontem, através da Zon, após conseguir a autorização da Entidade Reguladora para a Comunicação. Na festa de apresentação, em Lisboa, onde estiveram muitas caras conhecidas, Carlos Ferreira, director do canal, admitiu ao CM que o ‘Hot TV’ tem todas as condições para ser bem sucedido: “Espero que seja um sucesso”.
O canal, que emitirá 24 horas por dia, durante os sete dias da semana, conta com produção nacional. “É a primeira vez que produtos nacionais deste género passam num canal português com regularidade”, disse Carlos Ferreira, que ambiciona ver cada vez mais filmes ‘made in Portugal’ na programação. “No primeiro mês, serão três os filmes portugueses.”
O director reconhece, entretanto, que é difícil angariar actores para os filmes pornográficos, mas afirma que o número de candidatos está a crescer gradualmente. O ‘Hot TV’ exibirá mais de 100 filmes por mês, 20 em estreia

Lúcia Garcia: "Só faço topless na varanda"







Lúcia Garcia: "Só faço topless na varanda"
02-07-09
– Verão rima com...
– Boa energia.
– Bebida de eleição no Verão?
– Caipirinhas e morangoscas.
– A que petiscos não resiste?
– À caldeirada do meu pai. Tenho sempre de lá ir molhar o pão.
– Companhia ideal para se levar para uma ilha deserta?
– O meu marido [o manequim Mário Franco], claro.
– A maior loucura que já fez no Verão?
– Ainda estou para fazer ‘aquela’ loucura. Mas até agora, talvez, ter dormido duas noites na praia sem nenhuma roupa para mudar.
– Gosta de topless?
– Não o faço em público. Só mesmo na minha varanda, onde ninguém me vê, já que o meu trabalho não me permite ter marcas.
– Já fez nudismo?
– Nunca, nem gostaria de experimentar. Faz-me confusão. Já fui a uma praia de nudistas e quando me apercebi quis logo vir embora.
– Usa biquíni fio dental?
– Uso asa delta.
– Já teve algum amor de Verão?
–Nunca fui de namorados. Mas amor, amor, foi o Mário, meu marido.
– Qual é a parte do corpo que mais costuma apreciar na praia?
– Cabelos e pés.
– As melhores armas de sedução?
– O olhar. Não é preciso fazer bocas, nem usar saltos altos.

novos investimentos











novos investimentosO primeiro-ministro anunciou esta quinta-feira o reforço de 115 milhões de euros para a construção de novos equipamentos sociais, a criação de uma linha de crédito de 50 milhões de euros para esta área e ainda uma comparticipação adicional de 20 milhões de euros para o programa nacional de requalificação e modernização dos centros de saúde e urgências hospitalares.
Na abertura do debate do Estado da Nação, o último desta legislatura, José Sócrates adiantou que o reforço de 115 milhões de euros para equipamentos sociais 'terá efeitos imediatos'. 'Significa duplicar a verba até agora disponível, permitindo que sejam aprovados mais cerca de uma centena de projectos entre os que já foram apresentados para comparticipação do programa operacional respectivo', explicou o Chefe de Governo.
Quanto à requalificação e modernização dos centros de Saúde e urgências hospitalares, Sócrates considerou que 'esse investimento, que é socialmente muito útil, tem também todas as condições para contribuir, neste momento, e com a solidariedade necessária, para a dinamização da economia e para a dinamização do emprego'.
Durante o seu discurso, o primeiro-ministro reiterou as críticas à oposição, nomeadamente ao PSD, na questão dos investimentos em Portugal. 'Não é só dizer mal, é procurar fazer bem. Não é parar, é andar para a frente e nós estamos aqui para avançar', frisou, considerando que actualmente o debate político 'é entre a acção e a paralisia, entre a vontade e a resignação, entre investir e adiar, entre construir e adiar, entre andar para a frente e voltar ao passado, entre o sim e o não'.

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009



ATUALIZAÇÕES (HOSPITAL JOHNS HOPKINS).
CIRCULEM ENTRE SEUS CONHECIDOS ATUALIZAÇÕES SOBRE CÂNCER
Johns Hopkins - Cancer News from Johns Hopkins Nenhum recipiente de plástico no micro. Nenhuma água em garrafa de plástico no congelador. Nenhuma cobertura de plástico em microondas.
Dioxina causa câncer, especialmente câncer de mama.
Dioxinas são altamente venenosas às células do nosso corpo. Não gele água em garrafa plástica, isso liberta a dioxina do plástico.
Recentemente, Edward Fujimoto, Gerente do Programa Wellness, no Castle Hospital, esteve em um programa de TELEVISÃO explicando esse perigo. Ele falou sobre a dioxina e como ela é perigosa para nós.
Ele disse que nós não devemos aquecer nossa comida em recipientes de plástico no microondas. Isso se aplica especialmente a comidas que contêm gordura. Ele disse que a combinação de gordura e calor alto libera a dioxina do plástico na comida e, no final das contas, nas células do corpo...
Ao invés, ele recomenda usar vidro, como Pyrex, ou recipientes cerâmicos para aquecer comida... Você tem os mesmos resultados, só que sem a dioxina. Tais coisas como comida instantânea, sopas, etc., devem ser removidas da embalagem e aquecidas em qualquer outro recipiente.
Papel não é ruim, mas você não sabe o que ele contém. É mais seguro usar vidro temperado, cerâmica, etc. Ele nos lembrou que, há algum tempo, alguns restaurantes de fast food se moveram para longe dos recipientes de espuma para embalar. O problema da dioxina é uma das razões. Também, ele mostrou que aquela envoltura de plástico é da mesma maneira perigosa quando posta sobre comidas para cozinhar no microondas. O calor alto faz as toxinas venenosas derreterem e saírem do plástico, gotejando na comida. Em vez disso, cubra comida com uma toalha de papel, ou use vasilhas mais adequadas. Este é um artigo que deve ser enviado para qualquer pessoa importante em sua vida!




Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha e na companhia de uma amiga estrangeira; quarta-feira de manhã, refaço o mesmo percurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa. Tanto para lá como para cá, é uma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em contrapartida, numa breve incursão pela estrada nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsito cerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis. Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela está espantada com o que vê:
- É sempre assim, esta auto-estrada?
- Assim, como?
- Deserta, magnífica, sem trânsito?
- É, é sempre assim.
- Todos os dias?
- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.
- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?
- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que o desenvolvimento era isto.
- E têm mais auto-estradas destas?
- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto, vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio. Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. - respondi, rindo-me.
- E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacional está cheia de camiões?
- Porque assim não pagam portagem.
- E porque são quase todos espanhóis?
- Vêm trazer-nos comida.
- Mas vocês não têm agricultura?
- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem que produzir não é rentável.
- Mas para os espanhóis é?
- Pelos vistos...
Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:
- Mas porque não investem antes no comboio?
- Investimos, mas não resultou.
- Não resultou, como?
- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linha Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.
- Mas porquê?
- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e, quando 'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não há restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de 'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Por isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estado perde centenas de milhões todos os anos.
- E gastaram nisso uma fortuna?
- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às três horas e meia que demorava a viagem há cinquenta anos...
- Estás a brincar comigo!
- Não, estou a falar a sério!
- E o que fizeram a esses incompetentes?
- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa... e ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.
- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?
- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km.
Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.
- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?
- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não me falha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital Moreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois, pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.
- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta para trás e entra em Lisboa?
- Isso mesmo.
- E como entra em Lisboa?
- Por uma nova ponte que vão fazer.
- Uma ponte ferroviária?
- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos os dias para Lisboa.
- Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!
- Pois é.
- E, então?
- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim.
Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.
- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se a auto-estrada está deserta...
- Não, não vai ter.
- Não vai? Então, vai ser uma ruína!
- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração é que vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo - porque, de facto, nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para o justificar.
- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?
- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!
- E vocês não despedem o Governo?
- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com Espanha foi a oposição, quando era governo...
- Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?
- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.
- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?
- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.
- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm de ter?
- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade.
Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo, até que ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:
- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?
- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50 quilómetros de Lisboa.
- Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da cidade, e fazer um novo?
- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.
- Não me pareceu nada...
- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP.
- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as companhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para um pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?
- Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para a Europa: um sucesso garantido.
- E tu acreditas nisso?
- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o que é aquilo?
- Um lago enorme! Extraordinário!
- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.
- Ena! Deve produzir energia para meio país!
- Praticamente zero.
- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!
- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.
- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber, serve para regar - ou nem isso?
- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o perímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agricultura não tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais.
- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para nada?
- Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é o que nós fazemos mais e melhor.
Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se para me olhar bem de frente:
- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?
- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez.
Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento. E suspirou:
- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar como Portugal! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém!

REPASSEM... !!! É IMPORTANTE. A GRIPE CONTINUA AGINDO.

ATCHIM
REPASSEM... !!! É IMPORTANTE. A GRIPE CONTINUA AGINDO.É sempre bom se prevenir...A pedido de um amigo de pesquisas no tempo do nosso saudoso e queridoCorsini, do qual fui amigo (nos anos 70) e discípulo no começo dosanos 80 em Imunologia e Genética (Unicamp), vou repassar a todos amaneira mais correta e saudável de enfrentar essa Influenza A(erroneamente chamada de gripe suína).O melhor que vc pode fazer é reforçar o seu sistema imunológicoatravés de uma alimentação correta e saudável, no sentido de manipularsua imunidade, preparando suas células brancas do sangue (neutrófilos)e os linfócitos (células T) as células B e células matadoras naturais.Essas células B produzem anticorpos importantes que correm paradestruir os invasores estranhos, como vírus, bactérias e células detumores.As células T controlam inúmeras atividades imunólogicas e produzemduas substâncias químicas chamadas Interferon e Interleucina,essenciais ao combate de infecções e de tumores.Bem vamos ao que interessa, ou seja quais alimentos são importantes(estimulam a ação do sistema imunológico e potencializam seufuncionamento).Antes de mais nada, tome pelo menos um litro e meio de água por dia,pois os vírus vivem melhor em ambientes secos e manter suas viasaéreas úmidas desestimulam os vírus. Não a tome gelada, semprepreferindo água natural e de preferência água mineral de boaqualidade.Não tome leite, principalmente se estiver resfriado ou com sinusite,pois produz muito muco e dificulta a cura.Use e abuse do Iogurte natural, um excelente alimento do sistema imunológico.Coloque bastante cebola na sua alimentação.Use e abuse do alho que é excelente para o seu sistema imunológico.Coloque na sua alimentação alimentos ricos em caroteno (cenoura,damasco seco, beterraba, batata doce cozida, espinafre cru, couve) ealimentos ricos em zinco (fígado de boi e semente de abóbora).Faça uma dieta vegetariana (vegetais e frutas).Coloque na sua alimentação salmão, bacalhau e sardinha, excelentespara o seu sistema imunológico.O cogumelo Shiitake também é um excelente anti-viral, assim como o cháde gengibre que destrói o vírus da gripe.Evite ao máximo alimentos ricos em gordura (deprimem o sistemaimunológico), tais como carnes vermelhas e derivados.Evite óleo de milho, de girassol ou de soja que são óleos vegetaispoli-insaturados.Importante: mantenha suas mãos sempre bem limpas e use fio dental paralimpar os dentes, antes da escovação.Com esses cuidados acima e essa alimentação... os vírus nem chegarãoperto de vc.Abraços6 de maio de 2009(uma pequena contribuição para vc enfrentar essa e qualquer gripe queporventura apareça no seu caminho). Se achar útil por favor repasseaos seus amigos...

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Foi já durante o mês de Junho que o Algarve se estreou de forma inédita como principal destino turístico nacional no Euronews.


Foi já durante o mês de Junho que o Algarve se estreou de forma inédita como principal destino turístico nacional no Euronews. Promovida pela Associação Turismo do Algarve (ATA), esta trata-se de uma campanha institucional criada para promover a região naquele que é considerado um dos principais canais de informação europeus. Composta por um plano de apresentação de 330 spots promocionais do Algarve transmitidos em duas vagas distintas, a primeira fase da campanha decorrerá até ao final de Julho, enquanto a segunda terá lugar entre 15 de Setembro e 15 de Outubro, contabilizando 8 semanas de presença no Euronews. Segundo os promotores da iniciativa, "o Algarve passa agora a fazer parte da elite de destinos e marcas turísticas internacionais, capitalizando as potencialidades deste canal de referência para se projectar a nível Pan-Europeu, reforçar o seu posicionamento e complementar as várias acções promocionais desenvolvidas nos principais mercados emissores". O Euronews emite para mais de 171 milhões de lares em toda a Europa, afirmando-se como o único canal de informação mundial disponível em oito idiomas diferentes

Domingo, 28 de Junho de 2009


O Colégio S. Gonçalo assinala o lançamento da primeira pedra, numa cerimónia oficial, com a presença da Vice-Presidente da Câmara Municipal de Lagos, Joaquina Matos e do Director Regional de Educação do Algarve, Dr. Luís Correia. Este estabelecimento, que abrirá portas no fim do primeiro semestre de 2010, propõe-se acolher um berçário, creche e pré-escolar com o principal objectivo de servir famílias do Concelho de Lagos e Vila do Bispo, nomeadamente na permanência, cuidados básicos, pedagogia e desenvolvimento de crianças, preparando-as para o início da escolaridade obrigatória. Para Idília Ramos, Directora do Colégio S. Gonçalo este projecto “nasce pela necessidade emergente de satisfazer as famílias do Barlavento de um ensino particular com um serviço e uma educação de excelência, uma vez que o índice de natalidade, ao contrário do restante país, tem vindo a aumentar. Torna-se ainda uma oportunidade de contribuirmos para a gestão familiar do dia-a-dia com um conjunto de serviços alargado no mesmo local”. Numa fase inicial, o Colégio S. Gonçalo acolherá crianças dos quatro meses aos cinco anos, prevendo-se numa segunda fase o alargamento de âmbito a uma valência complementar do ensino básico – 1º ciclo. Ainda segundo Idilia Ramos, “um dos desafios primordiais do Projecto Educativo do Colégio S. Gonçalo será “ajudar a voar” cada uma das suas crianças, possibilitando-lhes explorar, até ao limite, as suas capacidades e orientando-as para a construção e liderança de um projecto de vida que lhes permita ser felizes consigo próprias e com os outros.” Sobre o Colégio S. Gonçalo

Situado nos Montinhos da Luz, freguesia da Luz, Concelho de Lagos, perspectiva iniciar a sua actividade no fim do primeiro semestre de 2010. O edifício contará com uma construção de área coberta de cerca de 2.000 m2 e uma área circundante exterior parcialmente coberta superior a 750 m2, arborizada e com equipamentos que cumprem as normas europeias de segurança, privilegiando o desenvolvimento motor das crianças e o contacto com a natureza. Missão e Valores Colaborar no desenvolvimento da criança, desde os seus primeiros meses de vida, consolidando as bases da sua formação, construindo a sua personalidade e apoiando na gestão familiar, tornando-a assim mais saudável, eficaz, equilibrada, adaptada e feliz, reunindo desta forma as condições para o início de um percurso de sucesso

O Clube de Caçadores de Lagos festejou, no passado dia 17 de Maio, o seu 25º aniversário. Um quarto de século de história assinalado com um almoço con


O Clube de Caçadores de Lagos festejou, no passado dia 17 de Maio, o seu 25º aniversário. Um quarto de século de história assinalado com um almoço convívio entre dirigentes, associados, proprietários dos terrenos, a que se juntaram representantes da Câmara Municipal e Juntas de Freguesia de S. Sebastião e Santa Maria, e que o NL foi espreitar sendo o único representante da comunicação social.Porém, antes do repasto, os Caçadores cumpriram mais uma vez a generosa e louvável iniciativa de limpeza da natureza. Uma acção meritória dos amigos do ambiente.Por volta das 16 horas, foi tempo de uma cerimónia que consagrou discursos, homenagens e entrega de prémios.O primeiro a usar da palavra foi o Presidente da Direcção do Clube de caçadores de Lagos, José Messias Calado, que louvou a presença de muitos associados que quiseram festejar as bodas de prata, e congratulou-se com a disponibilidade e solidariedade de todos quantos participaram na limpeza do ambiente. José Messias recordou que o clube já tem meio milhar de sócios e chamou a atenção para que haja ainda maior colaboração e empenho de todos nas múltiplas actividades que o clube promove. O Presidente prestou também uma homenagem aos sócios com 25 anos, distribuindo uma placa simbólica destacando-se a presença do associado nº1, José da Paz e ainda recordado o sócio n º 2, Professor Mesquita que, por motivos de saúde, não esteve presente.José Messias aproveitou a ocasião para entregar prémios aos atletas do clube que conquistaram lugares de destaque nas diversas competições regionais e nacionais, e naturalmente, também houve lugar à tradicional homenagem a Tolentino Dias, através do Torneio com o seu nome que se disputa todos os anos a propósito do aniversário do clube.Destaque ainda para a intervenção de António Marreiros que “fez a dobradinha”, pois falou em representação da Câmara Municipal de Lagos e na qualidade de Presidente da Mesa da Assembleia geral do Clube de caçadores de Lagos.Enquanto Vereador, Marreiros reforçou os elogios aos Caçadores que empenhadamente participaram mais uma vez na limpeza do ambiente, numa jornada que desmistifica a velha noção de que os Caçadores só pensam na caça. Pelo contrário, caçadores, proprietários dos terrenos e outros amigos contribuem decisivamente para conservação da natureza, e que merecem naturalmente o reconhecimento por parte da Câmara Municipal de Lagos.Manifestou ainda o seu regozijo pelo trabalho desenvolvido por esta direcção recordando que a grandeza do clube se deve a todos os elencos directivos que se dedicaram e passaram pela história de 25 anos de intensa actividade e cujo sucesso está à vista.De sublinhar ainda a curiosidade de um sócio do clube ter completado no dia 17 de Maio 80 anos de vida, merecendo uma grande salva de palmas e uma lembrança.Por fim, foi hora de apagar as velas e toca a saborear o bolo de aniversário do Clube de Caçadores de Lagos.

O novo edifício da Câmara Municipal de Lagos Paços do Concelho Séc. XXI vai inaugurar e entrar em funcionamento no próximo dia 6 de Julho.



O novo edifício da Câmara Municipal de Lagos Paços do Concelho Séc. XXI vai inaugurar e entrar em funcionamento no próximo dia 6 de Julho, numa Cerimónia onde é esperada a presença do Senhor Primeiro Ministro, Eng.º José Sócrates*.
O novo equipamento está situado no novo loteamento integrado no espaço da antiga fábrica da cortiça. Confina com a Rua Dom Vasco da Gama, a Rua dos Celeiros, a Rua José Ferreira Canelas e o novo arruamento (localizado a Oeste, no interior da Urbanização) que tem como designação toponímica o nome de Rua do Município.
A partir desta data, todos os serviços técnicos e administrativos da Câmara Municipal - à excepção do Departamento de Ambiente e Serviços Urbanos, que está instalado no Chinicato e dos equipamentos culturais e educativos – são transferidos para o novo Edifício, libertando, deste modo, as instalações até agora ocupadas em várias partes da cidade e centralizando num único local o atendimento e tratamento dos assuntos colocados pelos munícipes.
O novo Edifício tem 4 pisos de gabinetes, a ocupar pelos serviços municipais, e dois pisos subterrâneos destinados a Parque de Estacionamento.
No Piso 0 fica instalada a recepção e o serviço de atendimento ao munícipe (Balcão Único de Atendimento/Gabinete do Munícipe), que será o espaço privilegiado para o atendimento presencial.
Os Pisos -1 e -2 correspondem ao Parque de Estacionamento subterrâneo, com capacidade total para 300 viaturas, onde o estacionamento será público e gratuito até ao final do Verão.
No Edifício Paços do Concelho, situado na Praça Gil Eanes, continuarão a funcionar os serviços de apoio à Assembleia Municipal, órgão que continuará também a reunir no Salão Nobre. Este Edifício histórico receberá novas valências/usos de âmbito cultural, estando prevista a realização, já este Verão, de uma exposição de artes plásticas.

AFRICA E OS SEUS HEROIS


"Andei atrás de Che Guevara em Angola"

Tarefa dolorosa. Eram os mecânicos como eu quem saia dos helicópteros para recolher os cadáveres dos nossos camaradas. Contei mais de 60.
Saí dos Pupilos do Exército e fui para França tirar o curso de rádio de helicópteros Alouette III. Depois, fui mobilizado para Angola e colocado na Base Aérea 9, em Luanda, integrado na Esquadra 94. Depressa esqueci algumas teorias, pois no mato a realidade era bem diferente e sujeita a muitas condicionantes. Nas evacuações, éramos nós – os mecânicos, no meu caso de rádio –, que saíamos com a maca para recolher os feridos e os mortos. Era uma tarefa dolorosa.
Foram vários os Alouettes furados por projécteis inimigos mas, por sorte ou perícia dos pilotos, nenhum foi abatido. Alguns caíram por avaria e outros porque queríamos socorrer as nossas tropas em sítios inacessíveis, muitos na mata angolana. Só de uma vez morreram seis camaradas, um dos quais me pediu, à última da hora, para ir no meu lugar.
Durante as missões, todos os tripulantes se uniam nas adversidades, inventávamos e com espírito de humor, mas com responsabilidade, dizíamos: 'Isto está preso por arames, mas voa!' Foram vários os casos em que os rotores das caudas partiram e as aeronaves caíram no chão como pedras. Uma vez, numa operação de resgate de vítimas, o helicóptero teve uma grave avaria e valeu-nos a perícia do piloto que conseguiu desligá-lo no ar. Acabamos por cair desamparados na mata. Felizmente, ninguém morreu.
No primeiro ano de comissão (1965/66), os militares mortos no Ultramar não tinham direito a transladação para a Metrópole e nós não os podíamos transportar. Infringindo as normas, arranjávamos maneira de os resgatar, mais que não fosse para lhes fazermos um funeral digno. Colocávamos os cadáveres nas aeronaves e depois dizíamos que os homens tinham morrido a bordo.
Como fazia parte da tripulação de helicópteros, vi a guerra do Ultramar do ar. Só descia à terra para resgatar os feridos e os mortos, uma missão talvez mais complicada do que combater com as forças inimigas no meio do mato. Tínhamos de contar os mortos e só pela minha mão passaram mais de 60. Foi terrível e hoje ainda acordo a meio da noite a sonhar com esses momentos trágicos. A maior parte dos corpos de homens caídos em combate foi levada para Nambuangongo, cujo cemitério depressa ficou lotado. Em 1966, restabelecendo a mais elementar justiça, o Estado passou a assegurar o seu transporte de regresso à Pátria.
A nossa principal actividade desenvolveu-se na zona dos Dembos. À medida que as operações militares decorriam, saíamos ao nascer do dia de Luanda e só no ar é que recebíamos instruções sobre o nosso destino. Ficávamos nos acampamentos do Exército, em melhores ou piores condições, mas todos juntos: oficiais, sargentos e cabos especialistas. Éramos quem levava os militares, sobretudo os pára-quedistas, para os teatros de operações. Para os colocar no mato, cada Alouette transportava cinco tropas, além do piloto e de um mecânico.
No interior do helicóptero assisti às cenas de desespero daqueles que tinham de saltar para a selva, alguns deles para a morte. Muitas das vezes eram empurrados porque não tinham coragem para se atirar. Alguns partiram pernas ao chegar ao chão, porque a vegetação era alta e o helicóptero não podia baixar mais. Quibala Norte, Bela Vista, Santa Eulália, Quibaxe, Quicabo, Piri, Zala Úcua e a mítica Nambuangongo foram as zonas que mais nos serviram de base.
No terceiro trimestre de 1965 falou-se que Ernesto Che Guevara estava a combater na fronteira do Congo com Angola. Para nos certificarmos da veracidade da informação fomos para São Salvador do Congo. Participámos em várias operações na zona, por exemplo em Cuimba e Serra da Canda, mas nunca obtivemos qualquer confirmação. O mítico guerrilheiro refere no seu livro ‘Congo’ que estava lá nessa altura, mas a combater ao lado dos oponentes a Mobutu.
No terceiro semestre de 1966, com a ida da facção Chipenda para o Leste, a guerra agravou-se na zona. Disseram-nos que íamos para lá por oito dias, mas só fomos substituídos ao fim de 45. Estabelecemo-nos no recém-formado aeródromo-base no Cazombo e daqui partíamos para onde fosse necessário. Andámos pelos ‘cus de Judas’ – magistralmente descritos por António Lobo Antunes – estivemos em Lumbala e noutras terras perto da fronteira da Zâmbia. Nessa zona, os Fuzileiros e os Comandos foram os nossos principais companheiros. Levávamos os feridos para o Luso. A Esquadra 94 foi constituída em 1963 e continuou operacional até deixarmos Angola. Quem por lá passou jamais a esquecerá.
DO HELICÓPETRO PARA A RÁDIO
Quando regressou, Amílcar Pires ficou mais seis meses na Força Aérea e depois foi para a Emissora Nacional como técnico de rádio. Casou com uma mulher que conheceu em África. Tem uma filha, de 36 anos, médica, e teve um rapaz, que faleceu com 19 anos (1987), atropelado por um camião em Alcácer do Sal. Estudava Medicina. Enquanto trabalhava na rádio tirou o curso de Direito, mas exerceu pouco. Entretanto, ingressou na Função Pública, foi chefe aduaneiro do Aeroporto de Lisboa e reformou-se, em 1999, como director da Alfândega do Funchal.

Memórias. Ainda hoje, passados 46 anos, revejo muitas vezes os militares cavando a sepultura e deitando o caixão à cova. Foram dias terríveis.
Estava uma tarde cinzenta e triste, como outras no Outono. Mas mais tristes ainda estavam os familiares que foram despedir-se de nós, sem qualquer certeza de voltarem a ver-nos. No Cais da Rocha do Conde de Óbidos só havia tristeza e lágrimas, em mais uma partida do navio ‘Vera Cruz’ para Angola. Chegámos a Luanda a 9 de Dezembro de 1962, ainda de noite. Tudo nos parecia escuro, mas o dia rompeu com os movimentos próprios de uma cidade em grande desenvolvimento.
Estivemos três dias no Grafanil, um quartel a 10 km de Luanda, onde os mosquitos gigantes pareciam apostados em sugar-nos o sangue. Dali para o Norte foi um salto. O batalhão foi ocupar a zona da Pedra Verde, a 120 km da capital, ficando uma companhia em Piri (a 389), outra no Pango Aluquém (a minha) e as outras duas (companhias de Caçadores 388 e de Serviços) em Úcua.
O primeiro mês foi passado em acções de reconhecimento, de fazenda em fazenda, algumas delas abandonadas. Em meados de Janeiro de 1963 sofremos a primeira baixa, num acidente de viação. A inexperiência do condutor – mal preparado durante a instrução –, o terreno acidentado e o piso escorregadio levaram à morte de um soldado. Sendo alferes, fui nomeado oficial comandante da coluna que acompanhou o funeral até Quibaxe. Ainda hoje, passados 46 anos, revejo muitas vezes os militares cavando a sepultura e deitando o caixão à cova.
Algumas semanas depois, sofremos a maior emboscada de toda a comissão e que se traduziu em cinco mortos (um furriel e quatro soldados), um ferido (furriel) e dois desaparecidos (cabos). Notícias posteriores, que não conseguimos confirmar, davam conta de que um deles tinha sido morto e o outro estaria a dar instrução a soldados negros, no Congo.
Foi uma manhã horrível, com fogo durante uma hora. Os turras deixaram vários mortos no terreno e muitos rastos de sangue. O capim, mais alto do que um homem, dava até à picada. Quando saltaram para a mata, os dois cabos foram logo capturados e feitos prisioneiros – a coisa que mais temíamos, por sabermos as torturas que nos esperavam. Perdemos ainda seis armas mas o inimigo não conseguiu levar a metralhadora, montada numa viatura Unimog.
Este ataque foi comandado pelo célebre António Fernandes, que veio a ser morto pelas tropas portuguesas e que era conhecido por ‘Mata-Alferes’. Ao primeiro tiro matava sempre um graduado. A sua arma de guerra era uma carabina que havia ganho num concurso de tiro em Portugal.
Na nossa zona havia outro mulato, filho de um fazendeiro branco e de uma negra, do mesmo género (ambos usavam carabinas de caça). Este tinha a cabeça a prémio, por ordem do pai.
Os meses foram passando, com várias emboscadas nas picadas e nas matas, com mortos e feridos de ambos os lados. Recordo, entre outros, o cabo Baptista e o soldado ‘Feio’. No triângulo Piri-Úcua-Pango, numa operação em que capturámos vários inimigos, um soldado veio ter comigo e mostrou-me um frasco com orelhas e dedos de guerrilheiros conservados em álcool. 'É para levar de presente ao nosso comandante', explicou.
Na zona de Úcua, perto do rio Dange, fizemos uma operação em que esteve o então capitão Jaime Neves – oficial valente e querido dos seus homens. O calor era muito e não havia água. Fomos sobrevoados por duas ou três avionetas, que nos atiraram bidões com água. A maior parte rebentou ao tocar o solo.
Noutra operação, na região de Bula Atumba, ao anoitecer, estávamos no cimo de um morro, prontos para pernoitar, quando apareceu um guerrilheiro com um preto bailundo de mãos amarradas. Transportava uma caçadeira e pretendia matar o bailundo. O rapaz atirou-se para o meio dos militares e gritou: 'Menino amigo! Menino amigo!' Um cabo do pelotão caiu--lhe em cima e dominou-o com facilidade. Acabou por ficar connosco e, mais tarde, foi enviado para a sua terra, na zona de Nova Lisboa.
Depois de um ano de guerra no Norte de Angola, fomos para o Leste, onde fizemos patrulhamentos apeados e em viaturas, na zona em volta do Marco 25, reconhecimentos e reconstrução de pontões. O inimigo projectava abrir uma nova frente de batalha, e nós sabíamo-lo. Foi por isso que apareceu no destacamento do Marco 25 o então tenente-coronel Spínola. Só com o condutor, andava em missão de reconhecimento, pois havia a possibilidade de o seu batalhão entrar em acção de sobreposição ao nosso.
PASSA O TEMPO A PESCAR E A LER
Carlos Venâncio Domingues Bilro é natural e residente em Montemor-o-Novo. Ingressou na Faculdade de Letras mas viu-se forçado a interromper os estudos – que nunca mais retomou – por causa da vida militar. Casou seis meses depois de regressar do Ultramar e teve dois filhos. Em termos profissionais, foi quadro administrativo da CUF, em Lisboa e Beja. Hoje que está reformado e viúvo, divide o seu tempo entre as leituras e a pesca com os amigos. Guarda muitas recordações da guerra, cujos episódios mais duros – como reconhece – nunca mais conseguiu esquecer.

Foi tudo muito difícil. Não havia qualquer estrutura. O isolamento era total e a logística precária. E o inimigo estava cada vez mais activo na região.
A 26 de Outubro de 1972 embarquei de avião para a Guiné, em rendição individual, com destino à Companhia de Caçadores 4540, que já se encontrava no Norte, em Bigéne. Mandaram-me com uma guia de marcha e transporte em coluna terrestre. Se quem emitiu a ordem soubesse as dificuldades para chegar por aquele meio, tenho a impressão de que ainda hoje lá andaria à procura de uma coluna militar. Valeu-me que, em Bissau, encontrei um sargento algarvio meu amigo, que se prontificou a ir comigo ao quartel- -general e responsabilizar-se pelo meu transporte. Era da Marinha e, precisamente nessa semana (finais de Outubro), deslocava-se a Bigéne para efectuar um reabastecimento à companhia. Foi assim que cheguei à minha guerra.
Estávamos a 12 de Dezembro de 1972 quando desembarcámos, a bordo da lancha Bombarda, em Cadique, na península dos rios Cumbijã e Cacine. A nossa missão era recuperar a zona de Cantanhez ao PAIGC. A operação ‘Grande Empresa’ foi concluída com sucesso e com o auxílio da Força Aérea Portuguesa, com um bigrupo da Companhia de Caçadores Pára-quedistas 121. O general António de Spínola, governador e comandante-chefe das Forças Armadas, acompanhou sempre de perto o desenrolar das movimentações das tropas, terminadas a 17 de Agosto de 1973.
Foi tudo muito difícil. Não havia qualquer estrutura montada. O isolamento era total e a logística precária. Fomos desbravando a densa mata e depois, com a ajuda de máquinas de engenharia militar, construímos as nossas ‘fortalezas’: uns pequenos buracos feitos no chão, tapados com paus de palmeiras e terra por cima. Abrimos estradas, poços e construímos um heliporto e um cais. Estávamos cercados por uma extensa bolanha e pela a mata de Cantanhez, até à aldeia de Jemberém. A Norte passa o rio Bixanque, que desagua no Cumbijã, e a Sul o rio Macobum. Um pouco mais distantes ficavam as aldeias de Cadique Nalú e Cadique Imbitina e, mais a Norte, Cadique Ial.
A minha companhia esteve quase sempre acompanhada por companhias de Pára-quedistas, Fuzileiros e Comandos. Logo nas primeiras missões no terreno fomos atacados pelos turras, situação que se manteve quase todos os dias. O inimigo estava cada vez mais activo na região de Cantanhez. Para pôr cobro à situação foi decidido construir uma estrada entre Cadique e Jemberém, obra a cargo de uma companhia de Engenharia Militar. A nossa missão era garantir a segurança dos militares e civis que ali trabalhavam.
No dia 10 de Junho de 1973, em Cadique, fomos atacados com canhões e morteiros. Estávamos a descarregar a lancha Bombarda, que tinha ido reabastecer as nossas tropas. Não houve vítimas, mas muita destruição. As nossas tropas reagiram ao fogo do inimigo. Estava eu a chegar ao acampamento numa Berliet, carregada de mantimentos que tinha ido carregar à lancha, quando, subitamente, fomos atacados com artilharia pesada já dentro do acampamento. Fiz alguns cálculos mentais rápidos, para ver onde estavam os inimigos, e disparei um morteiro de 81 mm, que acertou em cheio na sua base de fogos. Fez-se um silêncio profundo de ambos os lados. Recebi um louvor por esta minha acção.
Após a construção da estrada, deixámos Cadique. Para trás ficaram também várias tabancas e ajudámos a desenvolver a região de Cantanhez. Lá ficou um pedaço de nós todos e do nosso suor e muitas lágrimas derramadas e partilhadas com os nossos pais, que aguardavam o nosso regresso. Lembro-me como se fosse hoje, quando se ouvia o helicóptero a chegar com os nossos aerogramas. Eram notícias da civilização que se dissipavam à medida que se deixava de ouvir a máquina voadora. Dizia um, ‘olha, o meu filho já diz papá’, dizia outro, com a voz meio chorosa, que a namorada não aguentava mais a longa separação e que sua mãe estava a passar mal. Tudo isto marcou-nos e, como disse o capitão Manuel Varanda Lucas, 'pedaços de nós todos ficaram indissoluvelmente ligados para sempre a Cadique'.
Em finais de Agosto 1973 regressámos a Bissau e fomos colocados, a 8 de Setembro, em Nhacra, ficando eu a comandar a secção de Ensalmá, no controlo das viaturas que circulavam numa pequena estrada com uma ponte, que ligava aquelas duas localidades, próximo de Bissau. Em 25 de Agosto de 1974 regressei à Metrópole no paquete Uige e cheguei a Lisboa passados cinco dias. Passei à disponibilidade a 22 de Setembro de 1974, como furriel miliciano de Operações Especiais (Ranger).
'COMECEI CEDO A TRABALHAR'
O ex-combatente é natural da freguesia da Conceição, Tavira, distrito de Faro. Tem o 12.º ano. Casou em 22 de Março de 1975 e tem uma filha, nascida a 8 de Março de 1980 (Dia Internacional da Mulher). 'Comecei cedo a trabalhar como escriturário na Junta Autónoma de Estradas, onde iniciei funções a 19 de Dezembro de 1969. Passei para o Ministério das Finanças – Direcção-geral dos Impostos – Direcção de Finanças de Faro, a 18 de Novembro de 1994 com a categoria de chefe de repartição de administração geral e hoje tenho a categoria de técnico superior principal.'
António Manuel Santos, Guiné 1972/1974


Reviravolta. No início tudo parecia calmo mas de repente o cenário mudou e a guerra chegou terrível, causando dezenas de mortos e feridos.
No dia 25 de Outubro de 1972 parti para a Guiné. A nossa companhia era a ‘Piratas de Guileje’, comandada pelo capitão Abel Quelhas Quintas. Já em Bissau, seguimos para Cumuré e duas semanas mais tarde, numa lancha, para Gadamael, de onde partimos para Guileje. Aqui, de início, tivemos momentos calmos, os dias eram passados em patrulha e eu aproveitava para fazer o pão, que todos comíamos. Mas, com o passar do tempo, tudo piorou.
Certo dia, íamos num caminho perto do quartel, para ir buscar o que comer, quando fomos alvo de uma emboscada. O inimigo começou a disparar tiros e tinha fornilhos – uns buracos onde se colocam os detonadores. Nesse dia morreu um camarada e quatro ficaram feridos. Noutro, estávamos num abrigo subterrâneo, fomos atacados com bombas e o nosso furriel acabou por falecer. Ficámos sem centro de comunicações, porque as antenas foram destruídas, o que nos colocou numa situação complicada, pois não tínhamos possibilidade de contactar ninguém. Noutro momento fomos flagelados com canhões sem recuo e, para que pudéssemos escapar, o nosso capitão Abel Quintas contactou a Força Aérea, que lhe indicou a posição de saída. Ele ficou ferido, atingido por um míssil.
Durante a minha comissão em Guileje-Gadamael assisti a horrores, perdi muitos camaradas em emboscadas e vivi os piores momentos da minha vida quando estivemos 30 dias debaixo de fogo com o coronel Durão. Não conseguíamos descansar, comer, dormir ou mesmo beber água. Éramos obrigados a ir para as valas de água, para fugirmos aos ataques. O pouco que comíamos era debaixo de fogo. Houve dias em que chegaram a morrer à volta de 14 camaradas. Alguns, com a aflição para tentar fugir, atiraram-se ao mar e, como não sabiam nadar, acabaram por morrer afogados. Ainda hoje me recordo frequentemente desta tragédia, que pouco ou nada consegui fazer para evitar pois, como eram muitos, não os consegui tirar a todos da água.
Quando abandonámos Guileje, por ordem do major Coutinho e Lima, seguimos para Gadamael, onde voltámos a viver outro Inferno. Não havia casamatas – abrigos subterrâneos –, apenas valas normais. Os bombardeamentos eram tão intensos que, onde estávamos, ouvíamos as granadas a sair das armas e, passados poucos segundos, caiam em cima de nós. Muitos camaradas ficaram feridos ou morreram, num estado deplorável. Lembro-me de ver alguns com o crânio completamente desfeito. Na enfermaria, os cadáveres eram tantos que o cheiro se tornava, a cada hora que passava, mais insuportável. Durante o dia tínhamos de regar os corpos com creolina para diminuir o odor a putrefacção.
Numa saída com o alferes Branco, que nos mandou emboscar, ouvimos um barulho vindo do mato e atirámo-nos para o chão, percebendo que estávamos na iminência de ser atacados. O alferes foi atingido na cara por uma rajada. A nossa salvação foi a chegada de um grupo de pára-quedistas. Quando chegaram, encontraram quatro corpos: o alferes Branco, o cabo Neves e os soldados Serafim e Anselmo.
No dia 25 de Março de 1973 fomos atacados pelo inimigo, em plena luz do dia, contrariando o que acontecia na maior parte das vezes. Este ataque foi um chamariz, pois o inimigo sabia que uma acção destas teria como consequência o aparecimento da Força Aérea. E surgiu um avião a jacto Fiat G-91. O piloto entrou em contacto com Guileje, via rádio, para receber indicações da distância e da direcção de onde partira o fogo inimigo. Este avião partiu e não voltou a contactar. Passados uns 20 minutos apareceu outra aeronave que constatou que a primeira tinha sido abatida por um míssil.
Entre 31 de Maio e 2 de Junho do mesmo ano caíram umas 700 granadas, provocando baixas nas nossas tropas: cinco mortos e 14 feridos, para além dos enormes danos materiais. Nessa altura foi accionado o reforço das guarnições com tropas pára-quedistas.
Os abrigos estavam superlotados, pois abrigavam a população e as tropas, que tinham dificuldade em chegar às valas. As condições de higiene eram extremamente precárias e o cheiro nauseabundo. Não conseguíamos descansar e a população alimentava-se apenas de ração de combate. Foi uma guerra terrível, a que enfrentei durante a minha comissão.
NAMORADA TINHA 14 ANOS
José Pereira Lopes é natural de Condeixa-a-Nova, distrito de Coimbra, e é oriundo de uma numerosa família de 10 irmãos. Aos 12 anos viu-se obrigado a começar a trabalhar como padeiro, profissão que exerce ainda hoje, para ajudar no sustento da família. Quando partiu para a Guiné deixou ficar em Portugal a namorada, que na altura tinha 14 anos. Hoje, continua casado com a 'namorada' , que esperou por ele, e têm uma filha e duas netas. Fez a recruta em Beja, antes de partir com a Companhia de Cavalaria 8350, ‘Piratas de Guileje’, para a Guiné. n n
José Pereira Lopes - Guiné 1972/74


Tristeza. No dia em que a via foi inaugurada houve três emboscadas e morreram dois soldados. Eram de uma companhia de regresso à metrópole.
O desembarque na Guiné aconteceu a 12 de Maio de 1969 no cais do Pidjiquiti. Um dia triste e desolador: apenas se viam viaturas militares, soldados e estivadores. Depois, fomos para Brá, seguimos com destino a Buba e partimos para Mampatá, no Sul, com a missão de proteger os trabalhos de engenharia na nova estrada que ligava Buba a Aldeia Formosa, perto da fronteira com a Guiné-Conacri. O meu baptismo de fogo deu-se logo na primeira deslocação da companhia para Mampatá.
A deslocação foi muito penosa, pois – a acrescentar ao primeiro contacto com o inimigo – tivemos de contar com o imenso calor que se fazia sentir e a falta de água, que bem cedo acabou. Chegámos ao destino descia o Sol no horizonte e fomos surpreendidos com a inexistência de instalações militares. Por isso, montaram-se tendas de lona, cada uma para albergar uns 20 militares. Íamos começar a guerra sem o mínimo de condições. Alguns nativos, apercebendo-se do que estava a acontecer, convidaram soldados para se instalarem nas suas tabancas, contrariando Aliu, o chefe, que receava a junção dos militares com os nativos. Mas foi surpreendente a convivência que se gerou logo no primeiro dia entre ambos. Após algum tempo a dormir no chão, cada um construiu a sua própria tabanca.
O rasgar da floresta iniciou-se a partir de Sare Usso e a minha companhia começou a sua actividade operacional. Todos os dias, grupos de combate picavam a estrada nas deslocações para os trabalhos, seguidos das máquinas de engenharia. Só em Maio houve várias flagelações, bem como rebentamentos e levantamentos de minas. Houve mortos e feridos em emboscadas. Na primeira coluna de reabastecimento, na inauguração da via, registaram-se três emboscadas. Foi um dia triste, havendo a lamentar a morte de dois soldados e vários feridos numa companhia que estava de regresso à Metrópole. Ficámos tão afectados que nunca mais se fizeram colunas naquela estrada.
Durante a desmatação, efectuada por 700 trabalhadores Balantas e a protecção efectuada no flanco Sul, onde diariamente havia flagelações, tombou, fulminado por um tiro, o soldado Caetano e outros sofreram ferimentos graves. Estávamos com um mês de actividade e o inimigo não dava tréguas, aumentando o número de emboscadas, tanto às colunas como em flagelações a Mampatá. No tempo que durou a comissão, o inimigo atacou inúmeras vezes, com armas ligeiras, morteiros e roquetes, a tabanca de Mampatá, bem como procedeu à colocação de muitas minas na estrada para Buba. É difícil resumir o Inferno que vivemos dentro e fora do arame farpado.
Além de outras missões, realizávamos operações de dois e três dias. Mesmo assim, com tantos contactos com o inimigo, acabámos por ter sorte, pois tanto no levantamento como na colocação de minas quase sempre tudo correu bem. Mas não me esqueço do dinheiro que ganhei no levantamento de minas e ofereci ao cabo enfermeiro Alves, que ficou sem um pé no rebentamento de uma, colocada por mim, numa picada utilizada pela companhia.
Um dia, após a picagem da estrada para o início de uma coluna, quando só faltavam passar duas viaturas para regressarmos a Mampatá, chamei o Nobre para verificarmos, num trilho, se as cinco minas antipessoais montadas por mim já tinham ou não rebentado. Percorridos 20 metros, ouvimos um grande estrondo e de imediato verificámos a destruição de uma viatura, a morte de três nativos e ferimentos em nove camaradas. Uma vez mais fui protegido pela sorte, pois estive ali sentado durante mais de duas horas à espera que a coluna passasse.
Não me esqueço ainda do levantamento de uma mina anticarro e de outras que se seguiram, colocadas nas bermas da picada. Recordo o alerta dos soldados: ‘furriel não se mexa porque tem uma mina a centímetros do pé!’ Lembro ainda um contacto directo com o inimigo em que sofremos um ferido. Por estarmos perto de Mampatá, saiu em nosso socorro uma força que teve de enfrentar dois combates e deixou três mortos no terreno. As nossas tropas registaram cinco militares com tiros nos braços e pernas.
Regressámos à Metrópole a 11 de Março de 1971, deixando a funcionar uma escola, um heliporto, uma cantina, uma cozinha, um depósito de géneros e um balneário, entre outras infra-estruturas. n
DEPOIS DA GUERRA O KARATÉ
A Companhia de Artilharia 2519, formada em Évora e comandada pelo capitão Jacinto Barrelas, partiu para a Guiné a 5 de Maio de 1969, no paquete Niassa. Sempre foi motivo de preocupação do capitão trazer de volta todos os seus homens com vida. Infelizmente tal não se verificou. Arlindo Tadeu começou a praticar karaté após regressar de África, há mais de 30 anos, no Judo Club de Portugal. Hoje é 2.º dan. Aposentado como técnico superior na área da Segurança Social, é casado e natural de Folgosinho, Gouveia, no coração da Serra da Estrela.
Arlindo Tadeu - Guiné 1969/1971

Perigo. Vivi duas guerras: como sapador de Infantaria e depois, finda a minha comissão, durante os confrontos por altura da Independência.
Não posso dizer que fui mobilizado para Moçambique, pois já lá vivia desde os cinco anos, intercalando com seis anos de estudo na Metrópole, onde fui ‘às sortes’. Em Moçambique, passei pela Escola de Aplicação Militar, em Boane, onde frequentei o primeiro curso de Oficiais Milicianos que teve lugar naquela ‘Província’. Como aspirante, e depois como alferes miliciano, percorri quase todo o território.
A minha passagem obrigatória por aquela guerra absurda pautou-se por uma sorte incrível, apesar de ter tido a ‘simpática’ especialidade de Sapador de Infantaria. Tive a meu cuidado a recuperação e construção de pontes, edifícios e demais obras de interesse, grande parte danificadas pelo inimigo. Felizmente para mim, somente em Nancatar, perto de Mueda, senti a atmosfera pesada da guerra ao ser para ali destacado, para reparação de pontes danificadas por ataques semanas antes da minha chegada. Escutei ali os sons próximos da guerra em Mueda e os rebentamentos das minas colocadas em redor da povoação, accionadas pelos animais selvagens em noites de sobressalto.
Terminei a minha comissão em Março de 1970, depois de ter entrado na Escola de Aplicação Militar, em Boane, nos finais de Julho de 1966.
A partir dali, uma nova vida começou. Já casado e com uma filha, acabei o curso de Engenharia que fora obrigado a interromper, ao mesmo tempo que trabalhava.
Depois do 25 de Abril, aconteceu então o que considero a minha segunda guerra.
Pela História é sabido que, pouco antes da independência, a 7 de Setembro de 1974 e nos dias que se seguiram, Lourenço Marques (Maputo) ficou a ferro e fogo, com tentativas bélicas de tomada de poder. Num desses dias, sem saber como, encontrei-me no meio de um tiroteio cerrado entre soldados da FRELIMO e polícia, no recinto exterior duma empresa. Naquela altura as secretárias e caixotes de papéis serviram lindamente como trincheiras. Nenhum de nós se feriu mas, passada que foi a contenda, alguns corpos de civis eram vistos caídos nas ruas envolventes. Havia que regressar a casa quanto antes, mas em segurança. Eu vivia numa povoação – Machava, que ficava a 12 km da cidade – e tinha melhor acesso através de uma estrada que apelidávamos de via rápida. Como referência, à saída ficava o aquartelamento que pertencera à nossa Polícia Montada e era ladeada por residências modestas de africanos e algumas empresas e lojas (cantinas). Após a calmaria que se seguiu ao tiroteio, e como a situação tendesse a piorar, tentei contactar o meu pai, pedreiro de profissão, no seu local de trabalho, mas não consegui, por mais voltas que desse a seguir. Regressei a casa, sem problemas, embora já se sentisse no ar que algo grave iria acontecer nesse percurso.
Ódio, pavor, morte, irracionalidade, foi o que ali se passou. A descrição foi feita pelo meu pai, que lá passou meia hora mais tarde. De referir que naquelas instalações da polícia estavam soldados portugueses com a missão de vigilância e segurança. A vista para a via rápida era total e o meu pai quando chegou, vendo ao longe multidões ameaçadoras de africanos, dirigiu-se aos soldados que lhe disseram que podia passar, pois nada lhe aconteceria. Bem… para o meu pai começou ali o inferno de onde o próprio diabo teria fugido. Foram dezenas de paragens forçadas pelo gentio bramindo catanas, ferros, machados, desferindo golpes aqui e ali, massacrando, esquartejando e queimando vivos dezenas de brancos dentro das viaturas. Tal como ele, todos tinham acreditado na palavra dos nossos militares. O meu pai teve a vida por um fio, mas foi salvo por um africano que o protegeu, na altura em que uma catana caía sobre ele. Ao chegar, quase em estado de choque, vimos que a chave de ignição do carro estava a quebrar, de tanto ser usada.
Presto a minha homenagem de gratidão aos Fuzileiros Navais portugueses que, na madrugada seguinte, nos foram resgatar na nossa casa onde, entre adultos e crianças, estavam 32 almas e nos levaram para a sua base, onde ficamos três dias. Quis fazer daquela terra a minha terra e não me deixaram. Houve um trabalho mal feito na 'descolonização exemplar', pois deixou que o caos prevalecesse. Recordo muitas vezes o antigo soldado africano do meu pelotão de Nancatar que, já no aeroporto, fardado de polícia, me abraçou a chorar, pedindo para não deixar Moçambique.
ENSINA EM COLÉGIO DE LEIRIA
José Fernando Rodrigues Vieira reside no Vidigal, concelho de Leiria, e é professor de Educação Tecnológica no Colégio Conciliar Maria Imaculada. Tem 65 anos, é casado e tem dois filhos, de 36 e 38 anos, e um neto de quatro anos que dentro de dias vai ter uma irmã. Viveu em Moçambique, na cidade de Machava, entre 1949 e 1976. Licenciado em Engenharia, manteve-se em Moçambique após a guerra, só regressando a Portugal por naquele país não existirem condições médicas e assistenciais para cuidar de uma filha que sofria de uma doença crónica. n
José Fernando R. Vieira, Moçambique 1966/1970

Minas. Eram a principal arma do inimigo e aquela que causava mais estragos. Após um ano maravilhoso o meu pelotão foi para uma área de combate.
Embarquei no ‘Vera Cruz’ a 12 de Janeiro de 1966 com destino a Lourenço Marques e, de seguida, partimos para Mocuba, na província da Zambézia, a 120 km de Quelimane, para o Interior. O primeiro ano, sem guerra, foi maravilhoso. O pior foi quando fomos destacados para Mueda e, mais tarde, para Nangulolo.
Dois dias depois do Natal de 1966 fomos para Mueda, na província de Cabo Delgado, e, devido a um castigo, o meu pelotão foi mandado para a Missão de Nangulolo, onde a guerra era dura. A transferência resultou do seguinte: no dia de Páscoa, um furriel foi para o aldeamento e uns indivíduos espetaram-lhe uma facada. Por causa disso, fomos buscar as armas e preparávamo-nos para incendiar a aldeia. Mas o comandante apercebeu-se, impediu-nos de sair e castigou-nos, enviando-nos para Nangulolo. Estivemos lá oito meses, até ao fim de Novembro, onde vivemos a verdadeira guerra.
Todos os dias ia uma patrulha para o mato. Tratava-se de uma zona muito minada, em que o inimigo se ocultava e criava barreiras, muitas vezes tão bem armadilhadas quanto mortíferas. Nessas alturas aconteceu-nos, de facto, muita coisa: ataques, emboscadas, acidentes e quedas em ciladas, de que resultaram a morte de oito camaradas, incluindo
o nosso comandante de pelotão, o alferes Carvalho.
Uma vez fomos fazer uma patrulha e, a determinada altura, ouvimos uns barulhos estranhos. O alferes mandou-nos parar e verificámos então que eram guerrilheiros que se encontravam em cima de uns coqueiros a deitar cocos cá para baixo. Cercámo-los. O alferes mandou-os descer, mas eles não obedeceram. Por isso, demos duas rajadas e caiu tudo no chão. Quando chegamos ao quartel, o alferes fez o relatório da patrulha e entregou-o. Ao lê-lo, o nosso comandante perguntou onde estavam os mortos e obrigou-nos a ir buscá-los às costas, para que se lhes fizesse um funeral digno. Fazia-se sempre um funeral religioso a todos, num cemitério que construímos, fossem camaradas ou inimigos.
A situação mais complicada que vivemos foi no dia 22 de Agosto de 1967. Numa picada, entre Nangulolo e Midume, o nosso pelotão e um de reforço sofreram um ataque tremendo. A arma fundamental do inimigo eram as minas comandadas, altamente mortíferas. Foi num domingo. A páginas tantas, uma dessas minas atingiu-nos pela retaguarda, matando o nosso mainato – o rapaz que transportava o rádio às costas. Supomos que a ideia dos guerrilheiros fosse mesmo destruir o aparelho para que ficássemos sem comunicações. O moço ficou todo desfeito. Aliás, nós estávamos a passar numa zona de densa vegetação, por baixo de árvores que formavam uma espécie de túnel, e só demos que alguém tinha morrido quando os bocados de carne começaram a cair das árvores. Foi infernal.
Marcante também, pela negativa, foi uma das últimas patrulhas em Nangulolo. Como sempre, o nosso alferes Carvalho, que comandava o pelotão, ia à frente. Era uma pessoa extraordinária, como homem e como militar. Era natural de Évora, encontrava-se casado, com um filho pequenino, e a mulher – professora em Lourenço Marques – já estava à espera dele, porque estávamos mesmo no fim da comissão em Moçambique.
Nessa patrulha, embateu num tropeço (chamavam tropeços a umas armadilhas compostas por minas e granadas, que atravessavam em pontos de passagem). Ainda se apercebeu, gritou para que o pessoal se deitasse, mas levou com a explosão da granada em cheio e morreu. Foi um acontecimento que causou grande consternação em todo o aquartelamento, sobretudo entre os camaradas do pelotão. Posso dizer que, no outro dia, só se via soldados a chorar pela morte dele. Ainda hoje, mais de 40 anos passados, comovo-me quando penso nisso.
Não me recordo de mais nenhuma patrulha depois desta tragédia. Aliás, dois dias antes, o brigadeiro que nos tinha castigado visitou o aquartelamento e louvou muito o nosso trabalho e prometeu tirar-nos dali. Isso viria a acontecer em finais de Janeiro de 1968, altura em que fomos colocados em Montepuez. Apesar de ser na província de Cabo Delgado, era mais a sul e, por isso, uma zona bastante mais calma. Com o sentido de missão cumprida, desembarquei em Lisboa no dia 14 de Março de 1968.
PERFIL
Nome: António Teixeira dos Santos
Comissão: Moçambique (1966/1968)
Força: Batalhão de Caçadores 1878
Actualidade: Hoje, 65 anos, em Viana do Castelo
"UM ANO EM COMBATE ABERTO"
António Teixeira dos Santos nasceu em Junho de 1944 em Calheiros, Ponte de Lima, e foi combatente em Moçambique durante "dois anos, dois meses e dois dias", entre 12 de Janeiro de 1966 e 14 de Março de 1968. Integrou o Batalhão de Caçadores 1878, que esteve um ano em zona de paz, em Mocuba, na Zambézia, e "um ano e dois meses numa área de guerra aberta", na Missão de Nangulolo, em Mueda, na província de Cabo Delgado. António Santos, que hoje é taxista em Viana do Castelo, foi, em Moçambique, soldado da Companhia de Comando e Serviços, tendo a especialidade de Minas e Armadilhas. Ingressou nas fileiras do Exército a 3 de Agosto de 1965, tendo feito a recruta no GACA-3, em Espinho.

Tragédia. Um erro de um alferes, ao fazer as operações de segurança da G3, provocou o maior drama da minha comissão, uma semana após a chegada.
Integrado na 1ª Companhia do Batalhão de Artilharia 6221, depois de ter tirado a recruta no RI 5 das Caldas da Rainha, parti como furriel mecânico para a Beira, em Moçambique, no Domingo de Páscoa de 1973, a bordo de um Boeing 747 da TAP. A Beira era então um verdadeiro paraíso, com uma zona de praia, hotéis e esplanadas, chamada Estoril, e muitas loirinhas de ascendência inglesa, da vizinha Rodésia. A minha companhia rumou para Canxixe, ao norte da Gorongosa, onde nunca tinha havido militares. A região tinha um administrador branco, duas cantinas monhés, uma Escola Primária e muitas palhotas.
Nós ficámos instalados num antigo barracão, onde guardavam o algodão, e cortámos dois hectares de mata cerrada, vedando este espaço com arame farpado e instalando tendas onde dormiam os soldados. Apenas uma semana depois da nossa chegada, sucedeu a maior tragédia na companhia. O alferes Almeida, que era um ranger formado em Lamego, comandou um pelotão numa saída à noite em três viaturas Unimog. Quando chegaram, o oficial mandou formar para a operação de segurança – consistia em tirar o carregador da G3, puxar a culatra atrás para tirar a bala da câmara, soltar a culatra e dar uma gatilhada para confirmar que não ficara qualquer bala.
Tudo seria perfeito se o alferes não tivesse feito a operação sem tirar o carregador.
Como o cano da sua arma trazia uma granada terrivelmente eficaz, chamada dilagrama, esta explodiu ali mesmo, fragmentando-se em milhares de partículas que atingiram, não só o pelotão, mas todos quantos estavam de pé no aquartelamento, a começar pelo malogrado alferes que morreu de imediato. Eu tinha acabado de adormecer a escrever uns aerogramas, quando acordei com o estrondo. À porta do barracão estava o furriel Balsa, a pedir socorro, que de imediato caiu sem vida, com perfurações nos pulmões. Saímos para a rua e deparámo-nos com um cenário macabro, com quase três dezenas de corpos espalhados pelo chão, entre sangue, gritos, sofrimento, vida e morte misturadas.
O Carvalhais e os seus enfermeiros eram impotentes para acudir a todos, não tinham meios, nem medicamentos. Os nossos camaradas iam morrendo durante a noite. O meu camarada das transmissões, o furriel Carvalho, passou a noite no rádio e parece que ainda hoje o oiço a dizer: ‘Moka nova, moka nova, aqui companhia em delta, unidade, escuto.’ Tudo em vão. Não estava ninguém no ar e ficámos entregues à nossa sorte. O Henrique Vilela, também das transmissões, atingido no seu posto, parecia não ter cabeça, só um buraco ensanguentado. Era quem mais gritava, mas sobreviveu, ao contrário de outros que parecia nada terem.
Para todos quantos a vivemos, aquela foi a noite mais terrível e pavorosa das nossas vidas e dificilmente algum a poderá esquecer. Só no dia seguinte, pelas 11h00, tivemos ajuda e os feridos foram evacuados de avião a partir da pista de terra. Os mortos foram 12 e os feridos 18, deixando a companhia reduzida a dois terços. O drama, porém, ainda não acabara. Já que demoraram 15 dias a chegar as urnas e, com o clima africano, os corpos ficaram inchados, em decomposição. Valeram os mais loucos da companhia, semi-ébrios, para fazer entrar os corpos nos caixões.
Uma outra noite, os graduados operacionais tinham ido a Canxixe para uma festa, quando comecei a ouvir os nossos sentinelas a disparar as G3. Cansei-me de gritar para que cessassem fogo. Quando o consegui, ouvimos o som de metralhadoras pesadas Matsen e percebemos que estávamos a ser atacados. Conseguimos fazer regressar os nossos camaradas e do ataque ficaram apenas uns buracos nas paredes. Em Agosto de 1973, passei as férias na Beira, com o Carvalhais. Rebentou uma epidemia de cólera terrível, que fez milhares de mortos em Canxixe. O Carvalhais abasteceu-se de soro e vacinas e, no regresso, encontrámos o aquartelamento num caos. Foi possível salvar muita gente e só morreu mais uma pessoa. No pico da época de cheias, tornou-se impossível fazer o reabastecimento. Foi um período difícil de fome, em que estivemos limitados a umas maçarocas de milho.
Deu-se então o 25 de Abril, que acompanhámos entusiasmados via rádio, na expectativa de voltarmos à nossa terra rapidamente. Mas só mais tarde haveria paz e conheceríamos o outro lado da guerra, contactando os guerrilheiros da Frelimo.
PERFIL
Pedro Mateus Guerra, 57 anos, 1.ª Companhia do Batalhão de Artilharia 6221, Moçambique (1973/74)
TROPA TRAVOU ENSINO SUPERIOR
Pedro Mateus Guerra é natural e residente em Benedita, Alcobaça. É o mais velho de quatro irmãos e perdeu o pai aos nove anos. Esteve no Seminário, em Santarém, mais foi obrigado a sair, aos 14 anos, para ajudar ao sustento da família. Trabalhou na produção de cogumelos, foi madeireiro, taqueiro e empregado de escritório. Queria ingressar no Ensino Superior, mas a vida militar travou-_-lhe o sonho. Hoje é armazenista de materiais de construção civil, pai de três filhos e participante activo nos órgãos políticos e sociais do concelho de Alcobaça.

Vinte e tal militares ficaram feridos Numa explosão. Eu fui projectado 35 metros contra rochedos. A nossa força ficou reduzida a 4 elementos.
Quando fui mobilizado para a tropa, em Janeiro de 1963, andava a estudar na Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra, a tirar o curso de Regente Agrícola, que tive de interromper. Passados dez meses, a 10 de Outubro, embarquei no navio ‘Pátria’ com destino a Moçambique. Tinha 23 anos e era alferes miliciano, com o curso de Minas e Armadilhas feito em Tancos.
Passei a maior parte da comissão, de 30 meses, integrado no Batalhão de Caçadores (BC) 598, em Vila Cabral, na província de Niassa, o chamado ‘estado de minas gerais’, tal era a quantidade destes explosivos colocados por todo o lado. No fim, estive três meses em Vila Pery, onde não havia guerra, no BC 558, que se tinha retirado da região de Mueda. Ao chegar a Lourenço Marques, a primeira sensação foi boa, porque tínhamos gente à nossa espera e houve festa. Depois seguimos de barco até ao porto de Nacala, num dia de chuva terrível, e aí apanhei a primeira decepção, porque não havia sequer um guindaste nas instalações. Ainda viajámos mais um dia, agora de comboio, a atravessar a província de Niassa. Foi a desilusão. 'Então, isto é Portugal?'
A nossa sorte, porque fomos sem qualquer tipo de preparação – davam-nos umas botas e um camuflado e toca a andar, porque eram precisos soldados –, foi termos estado sete meses sem entrar em operações, o que nos permitiu ter conhecimento do terreno. Depois começaram a aparecer as minas e a situação agravou-se na província do Niassa, que é uma vez e meia maior do que Portugal. Na altura estava lá apenas o comando do batalhão e serviços – éramos meia dúzia de gatos pingados –, que de seguida foi reforçado por uma companhia.
No tempo em que estive em Moçambique, apenas sofremos dois ou três ataques directos. O principal problema era as minas. Os guerrilheiros punham-nas nas picadas e, quando íamos a passar nas viaturas, à menor distracção elas rebentavam. Quando dávamos por elas, levantávamo-las. Eu era especialista, porque era sapador. Em toda a comissão o meu grupo detectou 460 e tal minas, levantámos 43 e três acabaram por rebentar mesmo. Nas nossas deslocações éramos sempre surpreendidos por minas. Quando víamos a terra remexida ou alguma coisa estranha, saíamos das viaturas e começávamos a picar o chão com as facas de mato para ver se descobríamos algum objecto.
Numa operação que fizemos em conjunto com os fuzileiros e uma companhia de caçadores, na aldeia de Miendica, que tinha sete quilómetros de comprimento, com uma palhota aqui e outra acolá, aconteceu sermos atacados. Quando estávamos de saída – após uma acção psicossocial com a população –, a meio da povoação, sofremos uma emboscada. Tivemos de saltar das viaturas e começámos a disparar sem saber para onde, porque não víamos ninguém. De seguida, fizemos uma busca à aldeia e não encontrámos vivalma. Não estava lá uma única pessoa, toda a gente tinha desaparecido no mato. A maioria das operações era assim. Eles atacavam de surpresa e nós éramos surpreendidos.
Acabei também por ser ferido devido ao rebentamento de uma mina. Nesse dia, em 1965, numa picada – onde tinha andado nos últimos 15 dias em patrulhamento, passando tudo a pente fino sem encontrar nada – foi atacado um pelotão que ia render o meu, pela hora do almoço. Nessa manhã, por esta circunstância, nós não tínhamos saído, mas ao sabermos do ataque fomos em socorro dos nossos camaradas, porque conhecíamos bem a zona. Em consequência do rebentamento de uma mina, debaixo de uma Unimog, ficaram feridos 20 e tal militares, que foram evacuados. O condutor ainda viu a terra remexida e tentou fazer um ziguezague, mas já não foi a tempo de evitar a explosão. O nosso grupo de combate ficou reduzido a quatro homens e duas viaturas ficaram desfeitas. Eu fui projectado 35 metros pelo ar contra uns rochedos e fiquei ferido do lado esquerdo do corpo e na cabeça. Socorreram-me, regressei à base e fui evacuado de avioneta para o Hospital da Beira. A mina cavou uma vala em que cabia uma viatura. Este ataque aconteceu próximo da Missão dos Anglicanos, na estrada entre a base da Marinha e Nova Coimbra. No final da minha comissão – em que também estivemos destacados no mato durante três meses a construir uma ponte no Lunho – o balanço era terrível. Do meu grupo de combate, constituído por 31 homens, morreram 14 e sete ficaram mesmo num cemitério de lá. Um deles morreu-me no colo. Regressei à Metrópole em Março de 1966, no navio ‘Vera Cruz’.
PERFIL
Nome: António Horácio Gomes
Comissão Moçambique (1963/1966)
ForçaBatalhões de Caçadores 598 e 558
Actualidade: Hoje, aos 69 anos, em Leiria
TRANSFERIDO DE BATALHÃO
Em Novembro de 1965 fui transferido, por motivos disciplinares, para o BC 558, que estivera em Mueda, que fui integrar quando já estava em Vila Pery. Fui nomeado com mais dois alferes para um auto, porque tinha desaparecido um cantil. O tenente Carvalho Araújo – morto mais tarde numa saída nocturna, num ataque dos guerrilheiros e que eu fui buscar –, deu-nos cinco dias de prisão, o que equivalia a mudança de batalhão. Era para ir para Mueda, porque o meu camarada que estava lá – o antigo comandante da GNR de Viseu, agora coronel Antunes – fora ferido ao levantar uma mina.

"Mataram 30 nativos à catanada"Passámos por muito sofrimento. É triste recordar, mas tínhamos dias em que não comíamos. Tudo era escasso, até a água faltava. Eu acabei por ser ferido na noite da véspera de Natal de 1962, quando fomos buscar mantimentos.
Embarquei a 3 de Junho de 1961 no navio Vera Cruz, onde seguiram três mil homens de várias unidades. A Companhia de Artilharia 120 era comandada pelo capitão José Carlos Mesquita Lavado. Atracámos em Luanda a 12 de Junho e fomos para Grafanil. Passados seis dias seguimos de comboio para Malanje, onde chegámos no dia 20, ficando instalados no quartel de Caçadores Especiais.
Ao fim de cinco dias rumámos para Duque de Bragança, onde ficou o comando e metade da companhia, baptizada de ‘Palancas Negros’. O meu pelotão foi para Forte da República, sob o comando do alferes José Filipe de Mendonça Carvalhosa, e outro para Cuale, às ordens do alferes Otelo Saraiva de Carvalho.
O meu quartel era simples. Ficávamos num barracão e íamos todos os dias patrulhar e garantir a segurança dos negros que andavam na cultura do algodão. Havia várias sanzalas (conjunto de palhotas), mas pouco mais de dezena e meia de brancos. Era um ponto estratégico, pela importância do algodão para a economia do país.
A 20 de Julho deu-se o primeiro ataque. Fomos acordados para ir socorrer uma sanzala, que estava a ser assaltada pelos próprios indígenas. A luta era entre os que queriam ficar e os que desejavam sair, sendo os primeiros as principais vítimas. Quando chegámos só vimos corpos queimados e esquartejados à catanada. Eram uns 30.
No dia 6 de Agosto, pelas 13h00, sofremos uma emboscada da UPA (União dos Povos de Angola), quando seguíamos numa coluna com três viaturas e vinte homens numa picada, em Camabatele. Eu seguia numa GMC (carro pesado) com 12 camaradas – entre eles o ‘Pinguinhas’, o ‘Jojó’ e o ‘Quarentinha’ – quando avistámos alguns negros em cima de árvores e de imediato a viatura caiu num buraco. A cabina ficou quase enterrada na ratoeira. O tiroteio durou alguns minutos. O inimigo tinha canhangulos (uma arma artesanal) e catanas – e nós a espingarda Mauser – e foi o salve-se quem puder. Os negros mandavam-nos água para cima e gritavam que as nossas balas eram água e não matavam. Poucos escaparam no combate. Morreram onze. Depois deste ataque fui para Cuale, para proteger os trabalhadores no algodão. Passados dois meses, o soldado ‘Algés’ morreu num acidente, quando regressava com mantimentos e correio de Malanje. Ficou debaixo do jipe que capotou. Foi sepultado em Duque de Bragança.
Em Agosto de 1962 embarcámos para São Salvador do Congo e ficámos aquartelados em Quiende. No dia 24 de Dezembro de 1962, quando fomos à primeira localidade buscar mantimentos para passarmos o Natal, fui ferido. Eram 21h00 quando, ao atravessarmos uma pequena ponte de ferro, passaram os dois primeiros jipes, mas a viatura onde eu seguia fez rebentar uma mina do lado direito. Ficou ferido no joelho o condutor, Marcelino Venâncio (o ‘Malveirão’) e eu num braço e na cara.
O rádio das viaturas não conseguia fazer chegar o sinal de socorro ao nosso acampamento, mas ao fim de sete horas apareceu um pelotão para nos ajudar, comandado pelo já tenente Otelo Saraiva de Carvalho.
No primeiro semestre de 1963, o que mais me impressionou foi a morte de um camarada de outra companhia – um soldado negro integrado nas patrulhas conjuntas que fazíamos – numa emboscada, que ficou com as duas pernas desfeitas, por causa da explosão de uma mina, quando seguia numa Unimog. Próximo de Quiende, o rebentamento de outra mina provocou quatro feridos ligeiros. Uma terceira mina atingiu uma patrulha que seguia numa picada, causando um ferido grave, o sargento Bezerra, que foi evacuado para a metrópole.
Encontrei várias vezes o meu irmão, Joaquim Carlos Simões – seis anos mais novo – em São Salvador do Congo, que estava no Batalhão de Caçadores Especiais 357. Entrou para a tropa como voluntário em 1961 e foi para Angola a 28 de Abril de 1962. A maior alegria foi encontrá-lo. Ele estava em Cuimba, a 40 km de São Salvador do Congo, na Companhia de Caçadores Especiais 307, e eu a 30 km. Combinávamos encontros quando íamos buscar géneros. No batalhão dele, quinze dias após terem chegado, morreram sete militares.
FEZ MOLDES PARA MATERIAL DE GUERRA NA ALEMANHA
Tadeu Conceição Simões nasceu em Ferrel, Peniche. Antes de cumprir serviço militar foi agricultor. Quando regressou de Angola à sua terra natal, emigrou para França, onde esteve nove anos, trabalhando numa fábrica de vidro, e seis anos na Alemanha, onde laborou numa empresa de moldes para material de guerra. Em 1978 voltou definitivamente a Portugal, dedicou-se à avicultura e foi proprietário de aviários. Tirou o 2.º ano num curso de certificação de adultos, actualizando o diploma da 4.ª classe. Está reformado há cinco anos. É casado há 45 anos, tem um filho de 42 anos e uma filha de 33. No âmbito militar fez a recruta em Queluz, no Regimento de Artilharia Anti-Aérea Fixa, em 1960. Três meses depois passou a pronto e foi para o Quartel-General do Exército, em Lisboa. Desempenhou funções na messe de oficiais até ser mobilizado para Angola.









Celulite: Inestético e sem solução


Celulite: Inestético e sem soluçãoA celulite, o conhecido e desagradável efeito casca de laranja, é a acumulação de gordura nas camadas superficiais da pele. Este problema, inestético, afecta cerca de 90 por cento das mulheres em todo o Mundo: magras, gordas, de todas as idades, não sendo exclusivo das pessoas com excesso de peso. Estudos indicam que pode haver predisposição familiar para a celulite relacionada com os níveis de estrogénio, uma hormona feminina. A celulite resulta de uma combinação de factores hormonais, hereditários, de estilo de vida e de alimentação.
Segundo a médica endocrinologista Manuela Carvalheiro, praticar actividade física de forma regular é a melhor forma de prevenir a celulite: "Não há atletas com celulite. Porquê? Porque praticam actividade física, que é a melhor forma de a prevenir."
As inestéticas covinhas surgem em determinadas zonas do corpo, nomeadamente nádegas, coxas e abdómen, não existindo qualquer tratamento para atenuar o seu efeito por completo. Manuela Carvalheiro desilude quem anseia por terapêuticas ou produtos milagrosos. "Não há tratamentos totalmente eficazes, porque não está provada a efectividade dos produtos. As massagens, drenagens linfáticas e alguns produtos à venda podem ter algum efeito, mas parcial, temporário, transitório. Não têm efeitos permanentes nem duradouros", explica.
Para atenuar os efeitos da celulite há porém algumas regras que devem ser seguidas. O conselho da endocrinologista é fazer-se uma alimentação correcta e saudável, evitando os alimentos fritos e com gordura. Beber muita água é também fundamental.
"É muito importante beber dois litros por dia, excepto quem tenha problemas renais. Nesse caso, é aconselhável consultar o médico sobre a quantidade a ingerir", explica a especialista.
A água não só é essencial à vida, como limpa o organismo e tem, além de outras vantagens, a faculdade de limpar e hidratar a pele. "Nunca ninguém morreu intoxicado por beber água", salienta Manuela Carvalheiro.
Para a beleza da pele importa também a protecção solar. A médica endocrinologista aconselha as pessoas a protegerem-se das queimaduras solares.
TABACO E STRESS NÃO AJUDAM
Alguns factores contribuem para o desenvolvimento da celulite, designadamente o consumo de alimentos fritos, álcool, doces, tabaco, stress e problemas de circulação sanguínea. Mas não só. É provável o aparecimento da celulite em pessoas que não fizerem exercício físico, levarem uma vida sedentária e não ingerirem diariamente água em quantidade suficiente.
As mudanças nos níveis hormonais, como as que ocorrem, por exemplo, durante a gravidez, também podem contribuir para o aparecimento do problema. Para evitar a celulite, os especialistas aconselham uma alimentação rica em frutas, verduras e fibras, reduzir o consumo de gorduras (molhos, queijos gordos, bolachas recheadas, chantilly, biscoitos amanteigados e gelados). Reduza o sal e evite ainda os refrigerantes.
LEITURAS: 'SIMPLESMENTE FELIZ'
Duas descobertas recentes da Neurociência vieram revolucionar o estudo da felicidade. Sabe--se agora que temos um sistema de felicidade inato, além de que é possível desenvolvermos sentimentos felizes através de algumas técnicas. A obra, da autoria de Stefan Klein, custa 14 euros.
RECEITA: SOPA PRIMAVERIL
INGREDIENTES:
– 500 grde abóbora
– 1 cebola
– 1 nabo
– 1 batata
– 3 cenouras
– 1,5 l de água
– 200 gr de feijão-verde
– sal q.b.
– 1 pé de coentros
– 2 colheres (sopa) de margarina
CONFECÇÃO:
Lave e prepare os legumes, com excepção do feijão-verde, e corte-os em bocados. Leve ao lume com água e deixe cozer. Reduza o preparado a puré e de seguida junte o feijão-verde lavado e cortado em losangos finos.De seguida adicione o sal e os coentros. Deixe ao lume a cozer. Quando estiver pronto, e já com o lume apagado, adicione as duas colheres de sopa de margarina. Receita para seis pessoas. Cada porção tem 106 calorias.
FAÇA VOCÊ MESMO
AQUECIMENTO
Para a preparaçãodos músculos, pode iniciar uma caminhada, em passo acelerado. Procure respirar sempre de forma pausada, acelerando o ritmo da corrida aos poucos.
EXERCÍCIO
O pontapé deve ser realizado conforme a capacidade física do praticante. Os iniciantes devem começar por pontapés mais junto ao solo, aumentando gradualmente a dificuldade.
ALONGAMENTO
Com as pernas afastadas desça o tronco até tocar com as mãos nos pés. Mantenha a parte de trás da coxa em tensão.
"NÃO ENGORDO" (Sara Santos, Modelo, 26 anos)
Já fez alguma plástica?
Sim, ao peito, e foi algo que obviamente me deixou muito satisfeita e confiante na minha imagem.
Faz dieta?
Não. Geneticamente não tenho predisposição para engordar.
Cuidados com o corpo?
Não dispenso, ao levantar e ao deitar, uma massagem de creme hidratante com protecção solar no rosto e o mesmo acontecendo, depois do banho, com o corpo.
NOTAS
MASSAGENS: ATENUAR
As massagens e as drenagens linfáticas podem produzir algum efeito na celulite mas os seus resultados não são duradouros.
EXERCÍCIOS: CAMINHADAS
Os melhores exercícios físicos para combater a celulite são as caminhadas, a dança, a bicicleta ou a natação. Queimam calorias.
EVITAR: HORAS EM PÉ
Permanecer longas horas em pé ou sentada pode contribuir para o desenvolvimento deste inestético problema na pele. Mexa-se.
SEXO: DESEMPENHO SEXUAL DOS HOMENS MELHORA NO VERÃO
Com a chegada do Verão há uma maior disponibilidade para os relacionamentos, o que leva ao aumento do número de relações sexuais.
De acordo com os dados da IMS Health, Julho foi o mês de 2008 em que vendeu mais preservativos (66 362) e pílulas do dia seguinte (19755).
Segundo o sexólogo Bruno Inglês, "com a chegada do calor as roupas começam a ser mais escassas, os corpos começam a revelar-se, mostrando mais pele, as pessoas correm para os ginásios. O Verão também está associado, na maioria das vezes, a férias, o que corresponde a tempos sem o stress da vida quotidiana, de relaxamento total e de maior disponibilidade para a intimidade".
Embora não existam dados cientificamente comprovados, o desempenho sexual pode melhorar significativamente nesta época do ano. "O calor dilata boa parte dos vasos sanguíneos do nosso corpo, sendo que também pode facilitar a erecção do homem", tal como explica o psicólogo clínico.
"SEXUALIDADE NÃO DEVE TER CONDICIONANTES" (Adelaide Ferreira, Cantora)
Correio da Manhã – O sexo é um campo de tabus?
Adelaide Ferreira – Não, de maneira alguma.
– Há quem defenda um número ideal de relações sexuais ao longo do tempo. Concorda?
– Não. É um assunto que tem que ver com cada pessoa, algo de muito pessoal. A frequência sexual varia de pessoa para pessoa. A sexualidade deve existir sem preconceitos, sem condicionantes.
– Sendo cantora, considera que a música tem algum papel na sexualidade?
– A música tem influência em tudo na vida humana, em todos os aspectos da vida das pessoas e também, por consequência, tem influência na sexualidade. A música é uma fonte de harmonia, de relaxamento, de bem-estar e ajuda uma pessoa a estar bem consigo própria e isso também se reflecte na qualidade da própria sexualidade das pessoas.
– O ambiente pode influenciar o desencadear de relações íntimas?
– Absolutamente.
– Concorda com o sexo protegido?
– Claro. É importante para quem quer preservar a sua vida.
PERFIL
Adelaide ferreira nasceu em 1960 em Minde(Alcanena). Entrou no filme ‘Kilas, o Mau da Fita’, (1979) de José Fonseca e Costa, e representou Portugalno Festival da Eurovisão (1985).